Já tinha ouvido falar do vídeo, não me interessei em razão de saber os argumentos usados por defensores do aborto, mas acabei vendo e resolvi voltar a escrever sobre o tema.
O vídeo é curto e usa uma edição rápida dos argumentos em defesa do aborto, claramente de forma proposital impossibilitando que quem o assiste possa pensar nos argumentos genéricos jogados ao vento de forma aleatória.
Antes de analisar o vídeo, é importante que saibam que os defensores do Aborto usam de uma tática chamada "Janela de Overton", a qual é uma estratégia usada para tentar mudar a opinião das pessoas sobre determinado assunto. Em resumo, esta metodologia usa valores e argumentos periféricos ao tema central, amenizando-se o cerne da questão e, assim, fazendo com que as pessoas mudem de opinião baseados nestes outros valores.
Exemplo: A igualdade entre homens e mulheres é um valor que qualquer pessoa do século 21 e com o mínimo de discernimento defende e apóia, correto ? Pois bem, usa-se este valor para defender que a mulher, sendo igual ao homem, também tem o direito de optar por ter ou não ter filhos, o que parece correto, certo ?! Até aqui tudo bem, então adotando-se estes valores, passa-se a defender o direito ao aborto, uma suposta forma de defender o direito de igualdade da mulher e da optação em ter ou não filhos.
Agora, assista ao vídeo "Meu Corpo, minhas regras" e veja esse argumento sendo usado, entre outros:
Este vídeo usa o método da "Janela de Overton" com outros argumentos também, tentando fazer com que as pessoas pensem nestes "valores" (periféricos) e deixem de pensar no principal, o Aborto. Com isso, possivelmente poderão mudar de opinião.
Quer ver ? Vamos analisar o vídeo e seus argumentos
1º Argumento: A Gravidez como "tabu".
Como relata algumas reportagens, esse vídeo foi produzido após o Festival do Rio que escolheu como melhor documentário o filme "Olmo e a Gaivota", que trata das emoções, inseguranças e dúvidas de uma atriz teatral e seu companheiro durante uma gravidez de risco.
Esse é o ponto de partida do vídeo "Meu Corpo, Minhas regras".
No início, os atores falam que a Gravidez é um tema pouco tratado na literatura e nas artes cênicas. E (aqui começa a Janela de Overton) que quando tratado, tratam-na como "algo maravilhoso, sublime, cor de rosa", o que não é bem verdade.
Realmente na Gravidez nem sempre é tudo maravilhoso, cor-de-rosa, sublime. Assim, como tudo na vida, apresenta suas dificuldades, não é verdade ?!
Mas isso justifica o Aborto ? Acho que não, né !
2º Argumento: Ataque gratuito aos Dogmas Cristãos.
Rapidamente o vídeo faz uma alusão à gravidez imaculada da Virgem Maria, um Dogma Cristão. A entonação de dúvida e quase deboche sobre a gravidez "sem sexo, sem corpo, sem desejo, sem medo" e a ênfase à pergunta: "Sem sexo ?" é mero ataque gratuito às religiões Cristãs e seus valores, que "coincidentemente" são contra o Aborto.
(Ah que vontade de falar um palavrão)
Pois bem, o que que isso tem a ver com o Aborto ? Claro que nada, né ! É só a forma como agem aqueles que não tem argumento. (A agressão é a defesa dos fracos, meu caro).
Ainda falam da virgindade e colocam dúvida sobre tal dogma.
Novamente, que p... isso tem a ver com Aborto ?
3º Argumento: A desigualdade entre gêneros (Não podia faltar, né !).
Então, da virgindade de Maria passam para o argumento de crítica da ausência de tratamento igualitário da mulher e as dificuldades inerentes da Gravidez em filmes, novelas, peças teatrais, etc.
E, enfatizam que o Homem sempre é o objeto principal das produções artísticas (das quais, todos os atores fazem parte, não é !?), deixando a mulher da lado.
Mais uma vez, pergunto, o que isso tem a ver com o Aborto ? Pô, se a mulher e seus problemas são deixados de lado em produções artísticas, por qual motivo, atores e produtores como Alexandre Borges (que está no vídeo) não se engajam em produções com este foco ?
4º Argumento: O filho, como um estorvo da mulher !
Aqui começa a MASTER canalhice pseudo-intelectual do vídeo: A Janela de Overton em módulo MEGA-SUPER-PLUS !
Depois fazer ligações desconexas entre os Dogmas Cristãos, a desigualdade de gênero (coloca aí também o machismo, subentendido), passa-se para as seguintes frases (vou reproduzir):
"De repente surge um filho, e ai de você se reclamar"
"Pra fazer foi fácil, não foi?"
"Meu corpo era proibido, agora ficou obrigatório"
"Estava sozinha no mundo, e aí engravidei, o que é que você faz?"
"Eu era uma criança, uma adolescente, tive que interromper", "- Pecadora!, Egoísta!"
"E seu eu não quiser ter, qual o problema ?!"
"A mulher que não tiver filho, fica frustrada ! E se tiver, então ? Fica bonita, arrumada, cheirosa !"
Todos essas frases buscam refletir pensamentos machistas, preconceituosos e conservadores. Assim imputam tais ideias (olha a Janela de Overton) como se isso fossem valores defendidos por aqueles que são contrários ao aborto.
Veja que em nenhum momento o foco é o Aborto, em si. Ou seja, em nenhum momento o ato de interromper uma vida humana em formação é colocado como ponto central no vídeo.
Pelo contrário, o machismo, o preconceito, o conservadorismo são jogados do lado daqueles que são contrários ao Aborto e, desta forma, se ataca tais pessoas e suas ideias contrárias ao Aborto, como se fosse tudo a mesma coisa. ("Se sou contra o Aborto, sou machista, preconceituoso e conservador").
E o fato de se interromper, matar uma vida em formação, que é o ponto crucial ? Difícil argumentar de forma favorável à isso, pois a maioria da população é contra qualquer tipo de "interrupção da vida", inclusive de animais (felizmente).
E, ainda, tratam o filho como um verdadeiro estorvo, um "tumor" em formação no corpo da mulher ("Meu corpo era proibido, agora ficou obrigatório"). Por ser tão absurdo, não vou perder tempo com isso.
5º Argumento: A liberdade da mulher e de seu corpo.
Encerrando essa peça vergonhosa, passam pela gestação em decorrência de estupro (Olha a janelinha aí, o valor envolvido: violência contra a mulher) e a gestação indesejada de adolescentes (valor: o problema da gestação precoce) como se isso fosse tudo a mesma coisa
Uma coisa é a violência contra a mulher, outra coisa é a gravidez decorrente dessa violência. Nosso código penal prevê: "Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (...) II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido
de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal".
E sobre o problema da gravidez precoce, de adolescentes, isso envolve outras questões, como a educação e a orientação sexual de jovens e adolescentes. É fácil resolver matando fetos, né ?
E, encerra dizendo que a mulher tem a liberdade de usar o próprio corpo como desejar (Meu corpo, minhas regras).
Agora pergunto: O Feto em formação é um mero órgão da mulher ? Seria uma doença em crescimento dentro de algum órgão da mulher ?
Posso tratar o filho em gestação como algum órgão, pedaço de carne do "corpo da mulher" passível de se extirpar a qualquer momento ? É este o argumento que desejam que seja respeitado ?
E, ainda, quem disse que isso interfere na liberdade do uso do corpo pela mulher ? Ora, estamos no século 21 ! Qual a dificuldade do casal em usar métodos contraceptivos ? Existem vários, desde a vasectomia para o homem e a ligação de trompas para a mulher até alguns remedinhos chamados de "pílulas anti-concepcionais", sabiam ?!
Ainda, quem disse que a responsabilidade do filho é só da mulher ?
O Código Civil diz: "Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja
a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em,
quanto aos filhos: I - dirigir-lhes a criação
e a educação; II - exercer a guarda unilateral ou
compartilhada nos termos do art. 1.584; III -
conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; IV
- conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior; V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem
sua residência permanente para outro Município; VI -
nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais
não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os
16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade,
nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento; VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os
serviços próprios de sua idade e condição".
Ou seja, trata-se de um dever e um direito de ambos, ok ?
Portanto, senhores artistas, acho importante pensarem mais, se informarem melhor, antes de trazer esse monte de baboseira que, afinal, só causam prejuízo à imagem de vocês !
Antonio Carlos Antunes Junior
advogado, cristão, liberal e usuário de mais de 2 neurônios.

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