quarta-feira, 9 de abril de 2014

Valeska Popozuda, Antonio Kubitschek e Ludwing Wittgeinstein.

O professor de filosofia, Antonio Kubitschek, de uma escola de ensino médio do Distrito Federal, numa prova fez a indagação: “Segundo a grande pensadora contemporânea Valeska Popozuda, se bater de frente:”. A resposta era a conclusão do verso da música “beijinho do ombro”: “é só tiro, porrada e bomba”.

Em tempos de redes sociais e internet, a questão gerou polêmica e críticas numa velocidade acima à da luz.

E o problema está justamente aí: A polêmica e a crítica foram geradas pela simples e veloz disseminação de uma informação descontextualizada, o que levou à interpretações diversas e erradas, ocasionando as críticas.

Wittgeinstein
Ludwing Wittgeinstein, na revisão de sua obra filosófica (Investigações Filosóficas, Editora Vozes) levanta diversas questões acerca da linguagem e da interpretação dos conteúdos semânticos, falando sobre “jogo de linguagem”, “funções da linguagem”, explica como uma frase pode ter um conteúdo semântico diverso (ironia, sarcasmo), entre outras várias proposições investigativas filosóficas da linguagem.

Pois bem, um instrumento de grande ajuda para a “construção” do sentido/semântica de uma determinada informação linguística é o “contexto”, como propõe o referido filósofo. Explico:

Temos a seguinte frase: “Ontem passei a noite inteira com ela, não dormi nenhum segundo”.

Pare aqui e pense por algum tempo: O que você entendeu dessa frase? O que veio na sua mente quando leu essa frase? O que pensou que foi dito aí? 

Valeska para você pensar:



Pensou ? Vamos lá, então...

Imaginemos que essa frase foi dita por uma mãe para uma médica, relatando o quadro clínico de sua filha. O sentido, provavelmente, será de que a mãe ficou acordada a noite inteira cuidando da filha doente.

Agora, imaginemos essa mesma frase sendo dita por um jovem relatando para algum amigo o que aconteceu depois de ter saído de uma festa com uma garota. O sentido altera-se totalmente.

O mesmo acontece com a ironia e o sarcasmo.

Ora, a questão elaborada pelo professor evidentemente foi considerada, pelos críticos, descontextualizada e sem considerar a possível ironia (para mim, mais que clara) e, o pior, foi reproduzida bovinamente pela massa nas suas redes internéticas.

Este método de reprodução veloz e estúpida de informações fora de seu contexto, para mim, é um dos grandes problemas da imprensa e também das pessoas, as quais saem por aí dando opiniões, fazendo críticas, condenando sem pensar a respeito, sem qualquer raciocínio lógico, apenas passam para frente o saquinho carregado de lixo que receberam.



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