segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Tautologia, a Vaguidade e os discursos eleitoreiros.

No dicionário, Tautologia é definido como “1 Gram Vício de linguagem que consiste em repetir o mesmo pensamento com palavras sinônimas. 2 Lóg Erro que apresenta, como progresso do pensamento, uma repetição em termos diferentes.” (Fonte: Dicionário Michaelis).

Na filosofia diz-se que um argumento é tautológico quando se explica por ele próprio, às vezes redundante ou falaciosamente (fonte: Wikipedia).

Chamo a atenção para: “Erro que apresenta uma repetição em termos diferentes” e “argumento que se explica por ele próprio”. Grave isso e preste atenção.

Vou dar um exemplo de um argumento tautológico: “O mar é azul, posto que, em sua essência possui como coloração predominante a tonalidade azulada, que o torna, às vistas de quem o observa, uma imensidão de cor azul”.

Parece bonito, não? Mas o que eu disse é que o Mar é azul, porque é azul ! Ou seja, não disse nada, não justifiquei nada, não expliquei nada.

Esse instrumento de retórica é muito usado na política e, novamente, vem sendo muito usado na eleição presidencial deste ano.

Outro instrumento muito útil e usado nas campanhas políticas é a “Vaguidade” (definição do dicionário Michaelis: “vagueza, acepção”).

Ou seja, discursos com conteúdo repleto de expressões linguísticas vagas, mas que trazem forte, na sua vasta possibilidade semântica, conteúdo emocional, que abocanha o eleitor médio, que sem ter repertório suficiente, acaba sendo fisgado na sua emoção.

Estes dois instrumentos, a Tautologia e a Vaguidade, são fortíssimos para convencer aqueles que, por não terem conhecimento suficiente, não conseguem se aprofundar nas complexas questões dos assuntos macro e micro políticos.

Então, tais eleitores tendem a votar com a emoção: O mais simpático, o que traz em sua fala valores que o pegam pelo lado emotivo (e aqui, entram vários instrumentos populistas).

Vou fazer um discurso Vago e Tautológico, tentando convencê-lo a votar em mim:

“- Vote em mim, pois represento a verdadeira mudança ! Se eleito, me comprometo a realizar a uma completa mudança de governo neste país, que necessita de mudança urgente.”
“- Necessitamos de instituições mais honestas, pautadas pela ética e transparência na gestão pública. Para isso, me comprometo a ter ao nosso lado, colaboradores que pautem sua conduta nos mais altos valores da gerência administrativa de recursos públicos”.
“– Nós, brasileiros, precisamos de maior qualidade na educação, na saúde e na segurança pública, pois estamos cansados de tanta falta de qualidade e ineficiência das atuais políticas públicas que envolvem estes três pilares de qualquer sociedade moderna. Para isso, teremos em nosso futuro governo, uma educação pautada na qualificação dos gestores e educadores, um plano de governo para a saúde que vise a maior especialização dos profissionais médicos e gestores e, por fim, na segurança pública, um plano qualificado de combate aos altos índices de criminalidade de assolam este país”
“- Vote em mim ! A verdadeira mudança !”

Bonito, não ?  Mas cadê a proposta concreta ?

Pensem nisso ! Assistam os debates e busquem nos discursos dos candidatos falas iguais à estas ! Vão encontrar de montão !

Então, a verdadeira missão é procurar as verdadeiras e concretas propostas. Vejam quais dos candidatos trazem reais planos de governo, reais propostas para alterar o status quo. Se acharem em algum ou alguns deles, são nesses que devem pensar em votar.

Depois é só ver quais propostas concretas estão de acordo com seus valores e seus ideais, para definir seu voto.


Não vote com o coração, vote com a razão !

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