Tudo começou quando, no trânsito de São Paulo, vésperas do
natal, a música Índios, da Legião Urbana tocava no rádio e especificamente o
trecho: “Quem me dera ao menos uma vez, Entender como um só Deus ao mesmo tempo
é três” me levou a estas reflexões. Acompanhe comigo.
Essa frase resume um dos pilares da filosofia católica,
protestante, evangélica e das demais religiões derivadas destas, a chamada
“Santíssima Trindade”, que no wikipedia é assim explicada: “A Trindade ou Santíssima Trindade é a doutrina acolhida
pela maioria das igrejas cristãs que professa a Deus único preconizado em três
pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.
Pois bem, este dogma é “professado” pela maioria dos
Cristãos, exceto algumas poucas, como o espiritismo kardecista que é uma doutrina
cristã, mas que não adota este conceito de Deus e de Jesus.
Então, estas religiões se dizem “Monoteístas”, que significa
que acreditam em um único Deus, o qual é representado por 03 (três)
seres/pessoas distintas: O Pai (o Deus), o filho (Jesus) e o tal espirito
santo.
Não vou adentrar aqui na análise dos fundamentos religiosos
ou no teor das interpretações dos respectivos trechos bíblicos deste
pensamento, vou só demonstrar que esta teoria infringe o pensamento lógico e
racional, trazendo algumas regras de análise semântica do texto e como isso
demonstra o atual pensamento e conhecimento da grande maioria da população, o que
reflete em suas decisões corriqueiras.
Importante destacar que não estou querendo afrontar os dogmas religiosos,
nem tampouco desmistificar Deus ou Jesus Cristo, até porque também sou Cristão
e procuro seguir seus ensinamentos de amor. Não faço aqui nenhuma crítica à
qualquer igreja ou religião, por favor tenham isso em mente.
Vamos lá, na Lógica existem basicamente três princípios
básicos, com os quais é possível confirmar ou descontruir qualquer argumentação
teórica, são eles:
Princípio da identidade: Trata da igualdade entre objetos,
ou seja, Se digo que A é igual a B, então B é igual a A ! Neste mesmo raciocínio,
Se A é igual a B, e B é diferente de C, então C só pode ser diferente de A.
Princípio do terceiro excluído: Regra pela qual uma
proposição só pode ser verdadeira se não for falsa e só pode ser falsa se não
for verdadeira. Isto significa que não posso ter uma terceira opção, ou seja, a
proposição é falsa ou é verdadeira. Se digo que A é igual a B, e A é diferente
de C, então dizer que B é diferente de C é a única opção para termos uma
afirmação verdadeira (exclui-se qualquer outra opção). Um exemplo besta, mas
elucidativo: Se digo que a mulher está grávida, não posso dizer que ela não
está (uma opção exclui a outra).
Princípio da não contradição: Em um discurso, uma afirmação,
ao mesmo tempo, não pode se contradizer, ou seja, se digo que algo é falso, não
posso dizer que é verdadeiro. Se digo que A é igual à B, e B é diferente de C e
esta é a afirmação que adoto como verdadeira, não posso depois dizer o
contrário.
Parecem regras óbvias.
“- Dãã, isso é lógico !” alguns podem estar pensando.
E são mesmo, o problema é que nos discursos, nas construções
de pensamentos, de raciocínios opinativos, a grande maioria das pessoas as
ignora. Vejo isso acontecer o tempo todo no exercício da advocacia.
Ok, vamos aplicar essas regras à “Santíssima Trindade”.
Muitos já perceberam aqui os equívocos, mas vamos elucidar.
1ª Afirmação: DEUS é ÚNICO.
2ª Afirmação: DEUS é TRÊS: Ele mesmo, Jesus e o Espírito
Santo.
Aplicando as regras:
DEUS = 1
1 ≠ 3
Então, DEUS ≠ 3.
Qualquer conclusão diferente disso fere a regra do princípio
da identidade. Portanto, o dogma filosófico da Santíssima Trindade fere tanto
princípio da identidade, quanto o da não contradição, já que a 1ª afirmação
contradiz a 2ª afirmação.
Em resumo, se entendo que DEUS “são” três entidades/seres/pessoas,
não está correto afirmar que existe um DEUS ÚNICO, por que uma opção exclui a
outra, ou são três DEUSES ou é um só ! Se é UM, não é TRÊS. Simples.
Veja que não estou aqui a descaracterizar a natureza divina
destas entidades, na concepção religiosa cristã, mas somente apontando a
incoerência semântica deste princípio, só isso.
Passemos adiante.
Segundo o “The World Factbook”, elaborado pela CIA com dados
de 2012, os sistemas religiosos e espirituais com maior número de adeptos em
relação a população mundial são: cristianismo (28%); islamismo (22%); hinduísmo
(15%); budismo (8,5%); pessoas sem religião (12%) e outros (14,5%).
No brasil, a população é majoritariamente cristã,
87%, sendo sua maior parte católico-romana, 64,6%. Os protestantes representam
22,2 %, segundo o IBGE (2012).
Ora, 87% da população nacional é cristã ! A grande maioria de
brasileiros segue uma religião que tem em um dos seus principais alicerces um fundamento
filosófico ilógico, ou seja, que fere o pensamento racional lógico.
Novamente, estou só demonstrando um fato, apontando um
aspecto teórico, não estou criticando a religião ou seus ensinamentos morais. E
essa constatação que faço, no meu ponto de vista, não desmerece em nada as
religiões, os seus fundamentos morais, nem seus ensinamentos, o que é o de
maior importância, a meu ver.
O que isso significa? Que a grande maioria das pessoas,
assim como na religião, estão condicionadas a seguirem suas vidas SEM PENSAREM
LOGICAMENTE sobre suas opiniões, sobre suas crenças, sobre seus valores, sobre
a política, sobre o que ouvem, leem, assistem!
Em consequência, as decisões por elas adotadas, sejam em
casa, no trabalho, com amigos, na hora de votar, na hora de seguir um conselho
ou de dar um conselho, não são pautadas por racionalidade, mas sim por emoção.
E assim vamos seguindo pensamentos pré-estabelecidos, sem
questionarmos o porquê, levando um vida condicionada à “dogmas” filosóficos (em
todos os sentidos, não só religioso) que só fazem pessoas tomarem decisões irracionais
que as levam para a infelicidade.
Antonio Carlos Antunes Junior
26.02.2014
gostei! continue escrevendo Itunes. vou acompanhar :)
ResponderExcluirDivulga ai !
ResponderExcluirSe A=B=C, logo C=B=A!! Rsrs. Pense nisso.
ResponderExcluir