quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Sistema de cotas, você é a favor ?!


Vou entrar num assunto bastante polêmico e bastante delicado: As políticas de "cotas raciais". Vamos pensar a respeito?

Antes de expor meu ponto de vista, quero chamar a atenção para o fato de que pessoas com muito mais gabarito e conhecimento já escreveram sobre o assunto, como o sociólogo Demétrio Magnoli e seu excelente livro Uma Gota de Sangue. Se quiser ler uma resenha do livro, acesse esse link.

O livro do Demétrio é bastante profundo e embasado num longo estudo sociológico e histórico, bem como descreve os pensamentos filosóficos que embasam a adoção das políticas afirmativas que chamamos de "cotas raciais". Vale a pena ler.

Como eu não tenho esse conhecimento todo, mas adoro pautar minhas concepções na lógica e no singelo conhecimento que possuo, vou tentar demonstrar somente o que me parece muito claro, que tais políticas são na verdade a institucionalização do pensamento pró racismo.

A política de cotas visa "compensar" algumas "minorias" pela falta de oportunidade, pelo preconceito e pela possível discriminação (no mau sentido) que essas grupos são vítimas. Então, o sistema de cotas adotou a cor da pele como critério de discriminação (no sentido de diferenciação), concedendo à pessoas que preencham esse critério (cor da pele) alguns benefícios (p.ex., reserva de vagas em universidades).

Pois bem, o critério de diferenciação é a "cor da pele", ou seja, a política pública adota como critério objetivo de diferenciação a "raça" da pessoa, considerando sua pele. Portanto, a premissa para se enquadrar ou não no "critério de diferenciação" é puramente racial. Quer maior afirmação de que tal política é racial? Mas vou além.

O professor "Celso Antonio Bandeira Mello" no excelente livro Conteúdo Jurídico do Princípio da Igualdade (Ed. Malheiros) faz uma profunda análise sobre a semântica do que seria "igualdade" para fins jurídicos, mas que pode ser analisada em diversos outros aspectos.

A afirmativa de Aristóteles sobre igualdade é seu ponto de partida "igualdade consiste em tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais", e então ele passa a aprofundar o tema, que deixarei de lado por não ser o ponto deste breve artigo.

O que quero chamar a atenção é que a política de cotas ao adotar a cor da pele como critério de diferenciação, pela ótica da igualdade, assume que há diferença entre "negros" e "não negros", ou seja, que o "negro" merece ser tratado diferente, pressumindo, então, que a pessoa de cor da pele negra é diferente (Lembre-se: iguais são tratados igualmente e desiguais tratados desigualmente).

Ora, pelo seu ponto de partida, o critério de diferenciação é racista, assim tal política de cotas acaba sendo a oficialização do racismo.

Neste aspecto (e pelos inúmeros outros), entendo não ser este o caminho para diminuir desigualdades existentes no nosso país, pois como pode uma política que tem como premissa a "desigualdade de raça" querer combater tal desigualdade?

A solução está em outros caminhos, tais como melhorias educacionais do sistema público, permitindo que todos tenham as mesmas chances, melhorias na qualidade de serviços públicos de saúde, permitindo boa qualidade de vida à todos os cidadãos, e por aí vai.

Ou seja, as políticas públicas deveriam visar a criação de um ambiente social igualitário, para que todos tenham as mesmas chances, sem estabelecer critérios de diferenciação onde não há diferença, afinal somos todos seres humanos, pertencentes à uma mesma família, a humanidade.

Antonio Carlos Antunes Jr.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

"Meu Corpo, minhas Regras" e a estupidez abortista toma conta de artistas globais.

Já tinha ouvido falar do vídeo, não me interessei em razão de saber os argumentos usados por defensores do aborto, mas acabei vendo e resolvi voltar a escrever sobre o tema.

O vídeo é curto e usa uma edição rápida dos argumentos em defesa do aborto, claramente de forma proposital impossibilitando que quem o assiste possa pensar nos argumentos genéricos jogados ao vento de forma aleatória.

Antes de analisar o vídeo, é importante que saibam que os defensores do Aborto usam de uma tática chamada "Janela de Overton", a qual é uma estratégia usada para tentar mudar a opinião das pessoas sobre determinado assunto. Em resumo, esta metodologia usa valores e argumentos periféricos ao tema central, amenizando-se o cerne da questão e, assim, fazendo com que as pessoas mudem de opinião baseados nestes outros valores.

Exemplo: A igualdade entre homens e mulheres é um valor que qualquer pessoa do século 21 e com o mínimo de discernimento defende e apóia, correto ? Pois bem, usa-se este valor para defender que a mulher, sendo igual ao homem, também tem o direito de optar por ter ou não ter filhos, o que parece correto, certo ?! Até aqui tudo bem, então adotando-se estes valores, passa-se a defender o direito ao aborto, uma suposta forma de defender o direito de igualdade da mulher e da optação em ter ou não filhos.

Agora, assista ao vídeo "Meu Corpo, minhas regras" e veja esse argumento sendo usado, entre outros:


Este vídeo usa o método da "Janela de Overton" com outros argumentos também, tentando fazer com que as pessoas pensem nestes "valores" (periféricos) e deixem de pensar no principal, o Aborto. Com isso, possivelmente poderão mudar de opinião.

Quer ver ? Vamos analisar o vídeo e seus argumentos

1º Argumento: A Gravidez como "tabu".

Como relata algumas reportagens, esse vídeo foi produzido após o Festival do  Rio que escolheu como melhor documentário o filme "Olmo e a Gaivota", que trata das emoções, inseguranças e dúvidas de uma atriz teatral e seu companheiro durante uma gravidez de risco.

Esse é o ponto de partida do vídeo "Meu Corpo, Minhas regras". 

No início, os atores falam que a Gravidez é um tema pouco tratado na literatura e nas artes cênicas. E (aqui começa a Janela de Overton) que quando tratado, tratam-na como "algo maravilhoso, sublime, cor de rosa", o que não é bem verdade.

Realmente na Gravidez nem sempre é tudo maravilhoso, cor-de-rosa, sublime. Assim, como tudo na vida, apresenta suas dificuldades, não é verdade ?! 

Mas isso justifica o Aborto ? Acho que não, né !

2º Argumento:  Ataque gratuito aos Dogmas Cristãos.

Rapidamente o vídeo faz uma alusão à gravidez imaculada da Virgem Maria, um Dogma Cristão. A entonação de dúvida e quase deboche sobre a gravidez "sem sexo, sem corpo, sem desejo, sem medo" e a ênfase à pergunta: "Sem sexo ?" é mero ataque gratuito às religiões Cristãs e seus valores, que "coincidentemente" são contra o Aborto.

(Ah que vontade de falar um palavrão)

Pois bem, o que que isso tem a ver com o Aborto ? Claro que nada, né ! É só a forma como agem aqueles que não tem argumento. (A agressão é a defesa dos fracos, meu caro).

Ainda falam da virgindade e colocam dúvida sobre tal dogma. 

Novamente, que p... isso tem a ver com Aborto ?

3º Argumento: A desigualdade entre gêneros (Não podia faltar, né !).

Então, da virgindade de Maria passam para o argumento de crítica da ausência de tratamento igualitário da mulher e as dificuldades inerentes da Gravidez em filmes, novelas, peças teatrais, etc.

E, enfatizam que o Homem sempre é o objeto principal das produções artísticas (das quais, todos os atores fazem parte, não é !?), deixando a mulher da lado.

Mais uma vez, pergunto, o que isso tem a ver com o Aborto ? Pô, se a mulher e seus problemas são deixados de lado em produções artísticas, por qual motivo, atores e produtores como Alexandre Borges (que está no vídeo) não se engajam em produções com este foco ?

4º Argumento: O filho, como um estorvo da mulher !

Aqui começa a MASTER canalhice pseudo-intelectual do vídeo: A Janela de Overton em módulo MEGA-SUPER-PLUS !

Depois fazer ligações desconexas entre os Dogmas Cristãos, a desigualdade de gênero (coloca aí também o machismo, subentendido), passa-se para as seguintes frases  (vou reproduzir):

"De repente surge um filho, e ai de você se reclamar"

"Pra fazer foi fácil, não foi?"

"Meu corpo era proibido, agora ficou obrigatório"

"Estava sozinha no mundo, e aí engravidei, o que é que você faz?"

"Eu era uma criança, uma adolescente, tive que interromper", "- Pecadora!, Egoísta!" 

"E seu eu não quiser ter, qual o problema ?!"

"A mulher que não tiver filho, fica frustrada ! E se tiver, então ? Fica bonita, arrumada, cheirosa !"

Todos essas frases buscam refletir pensamentos machistas, preconceituosos e conservadores. Assim imputam tais ideias (olha a Janela de Overton) como se isso fossem valores defendidos por aqueles que são contrários ao aborto.

Veja que em nenhum momento o foco é o Aborto, em si. Ou seja, em nenhum momento o ato de interromper uma vida humana em formação é colocado como ponto central no vídeo.

Pelo contrário, o machismo, o preconceito, o conservadorismo são jogados do lado daqueles que são contrários ao Aborto e, desta forma, se ataca tais pessoas e suas ideias contrárias ao Aborto, como se fosse tudo a mesma coisa. ("Se sou contra o Aborto, sou machista, preconceituoso e conservador").

E o fato de se interromper, matar uma vida em formação, que é o ponto crucial ? Difícil argumentar de forma favorável à isso, pois a maioria da população é contra qualquer tipo de "interrupção da vida", inclusive de animais (felizmente).

E, ainda, tratam o filho como um verdadeiro estorvo, um "tumor" em formação no corpo da mulher ("Meu corpo era proibido, agora ficou obrigatório"). Por ser tão absurdo, não vou perder tempo com isso.

5º Argumento: A liberdade da mulher e de seu corpo.

Encerrando essa peça vergonhosa, passam pela gestação em decorrência de estupro (Olha a janelinha aí, o valor envolvido: violência contra a mulher) e a gestação indesejada de adolescentes (valor: o problema da gestação precoce) como se isso fosse tudo a mesma coisa

Uma coisa é a violência contra a mulher, outra coisa é a gravidez decorrente dessa violência. Nosso código penal prevê: "Art. 128 - Não se pune o aborto praticado por médico: (...) II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal".

E sobre o problema da gravidez precoce, de adolescentes, isso envolve outras questões, como a educação e a orientação sexual de jovens e adolescentes. É fácil resolver matando fetos, né ?

E, encerra dizendo que a mulher tem a liberdade de usar o próprio corpo como desejar (Meu corpo, minhas regras).

Agora pergunto: O Feto em formação é um mero órgão da mulher ? Seria uma doença em crescimento dentro de algum órgão da mulher ? 

Posso tratar o filho em gestação como algum órgão, pedaço de carne do "corpo da mulher" passível de se extirpar a qualquer momento ? É este o argumento que desejam que seja respeitado ?

E, ainda, quem disse que isso interfere na liberdade do uso do corpo pela mulher ? Ora, estamos no século 21 ! Qual a dificuldade do casal em usar métodos contraceptivos ? Existem vários, desde  a vasectomia para o homem e a ligação de trompas para a mulher até alguns remedinhos chamados de "pílulas anti-concepcionais", sabiam ?! 

Ainda, quem disse que a responsabilidade do filho é só da mulher ?  

O Código Civil diz: "Art. 1.634. Compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, o pleno exercício do poder familiar, que consiste em, quanto aos filhos:  I - dirigir-lhes a criação e a educação;  II - exercer a guarda unilateral ou compartilhada nos termos do art. 1.584; III - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; IV - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para viajarem ao exterior; V - conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua residência permanente para outro Município; VI - nomear-lhes tutor por testamento ou documento autêntico, se o outro dos pais não lhe sobreviver, ou o sobrevivo não puder exercer o poder familiar; VII - representá-los judicial e extrajudicialmente até os 16 (dezesseis) anos, nos atos da vida civil, e assisti-los, após essa idade, nos atos em que forem partes, suprindo-lhes o consentimento;  VIII - reclamá-los de quem ilegalmente os detenha;  IX - exigir que lhes prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição". 

Ou seja, trata-se de um dever e um direito de ambos, ok ?

Portanto, senhores artistas, acho importante pensarem mais, se informarem melhor, antes de trazer esse monte de baboseira que, afinal, só causam prejuízo à imagem de vocês !

Antonio Carlos Antunes Junior
advogado, cristão, liberal e usuário de mais de 2 neurônios.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Aniversário no Facebook !

Tenho uma página pessoal no facebook, onde tenho somente como "amigos", aqueles amigos que fiz ao longo da minha vida, nessa não tenho ninguém que não conheça pessoalmente,

Porém, com a proposta de gerar conteúdo na internet, também possuo uma página do escritório no facebook (e também um fanpage). Uso estas para divulgar artigos, videos, livros de minha autoria e com relação ao meu escritório, é uma ferramenta de propaganda.

Já acumulei na página por volta de 3.000 pessoas ("amigos") e na Fanpage tem mais 1.800 seguidores. Na maioria, nunca os vi antes na vida, volto a dizer, são páginas "institucionais" para divulgação de conteúdo jurídico voltado ao escritório e às minhas atividades profissionais.

Pois bem, ao abrir a página hoje (meu aniversário), me deparo com mais de 100 mensagens de "Parabéns". Até aí, tudo bem, pois a maioria escreveu "Parabéns", "sucesso", "Feliz Aniversário".

Mas, me deparo com mensagens como estas de gente que nunca vi na vida:

"Hoje a estrela é você! Que o show de sua vida dure para sempre. Feliz aniversário!"

"FELIZ ANIVERSARIO....PARABENS....PARABENS....QUE FAÇA MAIS CEM .... COM SAUDE AMOR E DINHEIRO...!!!!!"

"oiiiiiiiiiii parabenssssss muitas felici//s muitos aninhos de vida bjsssssss de melllllll pra adoçar e abençoar esse lindo dia"

"Parabéns pelo seu aniversário, desejo, a vc e família, muita saúde, felicidade, paz e suce$$o. Forte Abraço."

"Feliz aniversário! Parabéns! Tudo de bom! Fique com Deus! Um abraço!"

"Data especial, o dia em que Deus escolheu para você conhecer este mundo.
Dia especial por que o mundo teve a oportunidade de ser presenteado com uma pessoa tão brilhante.
Momento maravilhoso, pois quem teve o privilégio de conhecer ou estar perto nunca mais te esquece.
Hoje não é especial apenas porque é seu aniversário, mas é especial porque a cada ano podemos agradecer a Deus pela oportunidade que ele nos deu de conhecer e conviver com você.
E mesmo à distância é possível lembrar a pessoa espetacular que você é. 
Que Deus abençoe este dia e possa te presentear com aquilo que seu coração almeja, realizando todos os teus sonhos. FELICIDADES!!!!"

"Parabéns, que possa ter muitos anos de vida, abençoados e felizes, e que estes dias futuros sejam todos de harmonia, paz e desejos realizados.Que seu coração, esteja sempre em festa, porque você é um ser de luz e especial .PARABENS pelo seu aniversário hoje,é FELICIDADE pra sempre!!"

"Parabéns.
Que todos os votos de felicidades, cheguem até o trono de Deus, para torná-los realizáveis o mais rápido possível.
É festa no olhar de todas as pessoas que tem um abraço para te ofertar. Um olhar de carinho para te oferecer.
Você merece e os homenageados de hoje somos todos nós que temos a sua amizade."


Caramba, que coisa de doido é essa internet, né !

Mas o que mais gosto, é abrir o google e ver isso:



quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Mais tautologias: Democracia e Alternância de Poder.

Minha vontade em escrever esse blog é trazer as pessoas para a razão, para a lógica nas suas escolhas, nas suas decisões. Infelizmente, sob meu prisma de visão, o Brasil ainda é um bebê de 06 meses quando se trata de racionalização do povo e, consequentemente, do debate político.

Vou dar um exemplo aqui.

Não é a primeira vez que ouço de alguém o seguinte argumento: A alternância de poder é bom para a democracia.

Esse argumento é uma verdadeira redundância, uma Tautologia em sua mais pura essência.

Um sistema de governo em que não há a alternância de poder não é uma democracia, ou seja, em Cuba, na Venezuela, na Síria e outros países o que existe não é uma democracia, porque não há a “alternância de poder”.

A “alternância de poder” é uma característica própria do sistema democrático. Se está presente, estamos numa democracia, se não está presente, não estamos. Simples.

Ah, mas e a reeleição ?

A regra da reeleição é uma regra do sistema democrático que garante a “alternância de poder/democracia”.

Mas como, se o governante permanecerá no cargo ?

Ora, o governante não permanecerá no cargo. Ele foi eleito para um mandato específico e no final deste mandato ele pode, pelas regras vigentes, tentar mais um mandato. Assim, poderá ser eleito por novo período ou não ! De qualquer forma, houve garantia à alternância/democracia.

E veja que, após uma possibilidade de reeleição, o político não pode mais tentar novo mandato subsequente.

Alternância de poder ou Democracia não é caracterizada pela permanência ou não de um governante através da reeleição, mas sim pela garantia de eleições periódicas, com regras claras e que possibilitam a qualquer um tentar o cargo público, dentro das regras eleitorais.

Ou seja, a alternância/democracia se caracteriza pelo respeito às regras constitucionais que permitem ao povo de uma nação escolher seus governantes, em eleições periódicas.

O que faz bem para a democracia não é a alternância de poder (pois uma coisa não vive sem a outra), mas o respeito às liberdades, o respeito às regras eleitorais, o respeito às oposições, o respeito à livre manifestação de opiniões e vontades.

Ah, então estou defendendo a reeleição ? Humm, isso é assunto para outro post.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Tautologia, a Vaguidade e os discursos eleitoreiros.

No dicionário, Tautologia é definido como “1 Gram Vício de linguagem que consiste em repetir o mesmo pensamento com palavras sinônimas. 2 Lóg Erro que apresenta, como progresso do pensamento, uma repetição em termos diferentes.” (Fonte: Dicionário Michaelis).

Na filosofia diz-se que um argumento é tautológico quando se explica por ele próprio, às vezes redundante ou falaciosamente (fonte: Wikipedia).

Chamo a atenção para: “Erro que apresenta uma repetição em termos diferentes” e “argumento que se explica por ele próprio”. Grave isso e preste atenção.

Vou dar um exemplo de um argumento tautológico: “O mar é azul, posto que, em sua essência possui como coloração predominante a tonalidade azulada, que o torna, às vistas de quem o observa, uma imensidão de cor azul”.

Parece bonito, não? Mas o que eu disse é que o Mar é azul, porque é azul ! Ou seja, não disse nada, não justifiquei nada, não expliquei nada.

Esse instrumento de retórica é muito usado na política e, novamente, vem sendo muito usado na eleição presidencial deste ano.

Outro instrumento muito útil e usado nas campanhas políticas é a “Vaguidade” (definição do dicionário Michaelis: “vagueza, acepção”).

Ou seja, discursos com conteúdo repleto de expressões linguísticas vagas, mas que trazem forte, na sua vasta possibilidade semântica, conteúdo emocional, que abocanha o eleitor médio, que sem ter repertório suficiente, acaba sendo fisgado na sua emoção.

Estes dois instrumentos, a Tautologia e a Vaguidade, são fortíssimos para convencer aqueles que, por não terem conhecimento suficiente, não conseguem se aprofundar nas complexas questões dos assuntos macro e micro políticos.

Então, tais eleitores tendem a votar com a emoção: O mais simpático, o que traz em sua fala valores que o pegam pelo lado emotivo (e aqui, entram vários instrumentos populistas).

Vou fazer um discurso Vago e Tautológico, tentando convencê-lo a votar em mim:

“- Vote em mim, pois represento a verdadeira mudança ! Se eleito, me comprometo a realizar a uma completa mudança de governo neste país, que necessita de mudança urgente.”
“- Necessitamos de instituições mais honestas, pautadas pela ética e transparência na gestão pública. Para isso, me comprometo a ter ao nosso lado, colaboradores que pautem sua conduta nos mais altos valores da gerência administrativa de recursos públicos”.
“– Nós, brasileiros, precisamos de maior qualidade na educação, na saúde e na segurança pública, pois estamos cansados de tanta falta de qualidade e ineficiência das atuais políticas públicas que envolvem estes três pilares de qualquer sociedade moderna. Para isso, teremos em nosso futuro governo, uma educação pautada na qualificação dos gestores e educadores, um plano de governo para a saúde que vise a maior especialização dos profissionais médicos e gestores e, por fim, na segurança pública, um plano qualificado de combate aos altos índices de criminalidade de assolam este país”
“- Vote em mim ! A verdadeira mudança !”

Bonito, não ?  Mas cadê a proposta concreta ?

Pensem nisso ! Assistam os debates e busquem nos discursos dos candidatos falas iguais à estas ! Vão encontrar de montão !

Então, a verdadeira missão é procurar as verdadeiras e concretas propostas. Vejam quais dos candidatos trazem reais planos de governo, reais propostas para alterar o status quo. Se acharem em algum ou alguns deles, são nesses que devem pensar em votar.

Depois é só ver quais propostas concretas estão de acordo com seus valores e seus ideais, para definir seu voto.


Não vote com o coração, vote com a razão !

segunda-feira, 14 de abril de 2014

"Foi impedido?! Roubado é mais gostoso mesmo".

Ontem, na final do Campeonato Carioca, o Vasco teria sido prejudicado pela marcação de um gol impedido do Flamengo, clube que se sagrou campeão se beneficiando deste gol e dos resultados das duas partidas.

Até aqui, tudo bem, decisões polêmicas e erros de arbitragem fazem parte de qualquer esporte. (Não quero entrar nesta celeuma, já que em outros esportes tais polêmicas são reduzidas pela utilização de aparatos tecnológicos evitando erros de arbitragem).

O que quero chamar a atenção é para a frase dita pelo goleiro Felipe no final do Jogo: "Foi impedido?! Roubado é mais gostoso mesmo".

Enquanto isso, no início de Março deste ano, na Alemanha, o Atacante Hunt do Werder Bremen avisou o Juiz que não tinha sofrido pênalti marcado a seu favor, e este voltou atrás e deixou de marcar a penalidade a favor do seu time, que perdeu o jogo.


O que isso significa: A cultura nacional da malandragem, do “jeitinho”, do esperto reflete em todo lugar, no esporte, na vida cotidiana, nas relações comerciais, na política. etc.

Na Alemanha, o jogador avisa o árbitro da marcação equivocada, no Brasil, o jogador se gaba em rede nacional de televisão da vantagem obtida, do campeonato obtido de forma não legítima.


E o que fazem os espectadores, os jornalistas, os dirigentes ? Nada, porque acham normal ! 

É normal, neste país, obter vantagem ilegitimamente, ilegalmente.

Então, "roubado é mais gostoso, mesmo" !

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Valeska Popozuda, Antonio Kubitschek e Ludwing Wittgeinstein.

O professor de filosofia, Antonio Kubitschek, de uma escola de ensino médio do Distrito Federal, numa prova fez a indagação: “Segundo a grande pensadora contemporânea Valeska Popozuda, se bater de frente:”. A resposta era a conclusão do verso da música “beijinho do ombro”: “é só tiro, porrada e bomba”.

Em tempos de redes sociais e internet, a questão gerou polêmica e críticas numa velocidade acima à da luz.

E o problema está justamente aí: A polêmica e a crítica foram geradas pela simples e veloz disseminação de uma informação descontextualizada, o que levou à interpretações diversas e erradas, ocasionando as críticas.

Wittgeinstein
Ludwing Wittgeinstein, na revisão de sua obra filosófica (Investigações Filosóficas, Editora Vozes) levanta diversas questões acerca da linguagem e da interpretação dos conteúdos semânticos, falando sobre “jogo de linguagem”, “funções da linguagem”, explica como uma frase pode ter um conteúdo semântico diverso (ironia, sarcasmo), entre outras várias proposições investigativas filosóficas da linguagem.

Pois bem, um instrumento de grande ajuda para a “construção” do sentido/semântica de uma determinada informação linguística é o “contexto”, como propõe o referido filósofo. Explico:

Temos a seguinte frase: “Ontem passei a noite inteira com ela, não dormi nenhum segundo”.

Pare aqui e pense por algum tempo: O que você entendeu dessa frase? O que veio na sua mente quando leu essa frase? O que pensou que foi dito aí? 

Valeska para você pensar:



Pensou ? Vamos lá, então...

Imaginemos que essa frase foi dita por uma mãe para uma médica, relatando o quadro clínico de sua filha. O sentido, provavelmente, será de que a mãe ficou acordada a noite inteira cuidando da filha doente.

Agora, imaginemos essa mesma frase sendo dita por um jovem relatando para algum amigo o que aconteceu depois de ter saído de uma festa com uma garota. O sentido altera-se totalmente.

O mesmo acontece com a ironia e o sarcasmo.

Ora, a questão elaborada pelo professor evidentemente foi considerada, pelos críticos, descontextualizada e sem considerar a possível ironia (para mim, mais que clara) e, o pior, foi reproduzida bovinamente pela massa nas suas redes internéticas.

Este método de reprodução veloz e estúpida de informações fora de seu contexto, para mim, é um dos grandes problemas da imprensa e também das pessoas, as quais saem por aí dando opiniões, fazendo críticas, condenando sem pensar a respeito, sem qualquer raciocínio lógico, apenas passam para frente o saquinho carregado de lixo que receberam.